sábado, 8 de março de 2014

E como fico alegre quando dou à luz; BH, 02501002013.

E omo fico alegre quando dou à luz,
Não parece,
Mas fico alegre quando termino de parir;
E gosto de parir,
Sim,
Gosto de ser uma puta que pariu,
Desde que seja um monte de filhos bastardos
E um rebanho de ovelhas negras,
De bodes
E de outros bogodôs,
Cordeiros e carneiros em espinhais;
E fico feliz de comandar esse hospício de loucos,
Esse sanatório de doidos varridos;
E todos a me chamarem de mãe:
Uns berram,
Outros urram,
Outros escoiceiam-se,
Lançam-se contra as paredes,
Furam os olhos,
Arrancam as línguas;
E mordem-se de sede
E querem beber o sangue uns dos outros,
Ou comer as carnes;
E todos saíram dos meus úteros,
Dos meus ovários,
Óvulos
E dos meus espermatozoides;
É uma cambada desvairada de fetos
E de restos de abortos;
E fico feliz,
Qual é o alienado que não é feliz?
Qual é o mentecapto que não solta gargalhadas?
Inda mais com esses monturos de filhos bizarros,
Esses animais bisonhos;
E quanto mais excitado fico,
Mais fértil,
Profuso a engravidar;
E haja noites,
Haja madrugadas,
Vasos para vomitar,
Nos primeiros nojos de gravidez herética.

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