sábado, 19 de março de 2011

A única coisa; BH, 0260202011.

A única coisa que sei e que
Posso fazer é chorar; queres
Que eu chore, então eu
Chorarei; não, não sei fazer
Mais nada; não, não sei
Fazer outra coisa; só sei
Derramar lágrimas, prantear,
Lamentar e carpir; se
Quiseres me contratar, sou
Profissional nisto, sou um
Ás como carpidor; se tiver
Utilidade para o senhor, estarei
No teu velório com toda a disposição,
A chorar copiosamente, de corpo e
Coração, que até pensarão que somos
Parentes, pai, filho, irmãos; mas
Posso chorar de alegria também;
Ou de emoção, como o que tem
Tudo e acabou de perder a vida
E o tudo que ele tem, não o
Salvou da morte; mas, concerto,
Não, concerto não posso fazer; como
Cantar um reggae? como cantar
Um blues? não tenho dor suficiente
No peito, isso não; ai, tu estás
A querer demais; como cantar
A liberdade, se eu não a tenho?
Cantos gregorianos, e hinos de
Louvores? não, isto também, não,
Não tenho religião; se queres,
A única coisa que admito,
É o choro meu, sou chorão por
Natureza; como cantar e ser escravo?
Com algemas nas mãos e
Grilhões nos pés? não insistas,
O meu forte é chorar.

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