domingo, 28 de fevereiro de 2016

As escrituras de um solitário são; BH, 01501102012.

As escrituras de um solitário são 
Sagradas para ele e as escrituras
Sagradas, para ele, não são sagradas;
O solitário escreve, por que é habitado
Por multidões de escritas; e para aproveitar
Estas escritas, o solitário não pode
Estar em companhia de ninguém;
Tem que ir para a sua pedra, no 
Alto de sua montanha, no fundo da 
Sua caverna e escrever o que as 
Multidões ditam; o solitário tem seu
Deserto predileto, onde nas encostas das 
Dunas, onde o sol não bate, fita os oásis
Urbanos, as miragens mirabolantes, os
Sonâmbulos sonolentos que, fantoches,
São manipulados pelos donos do poder; o
Solitário só tem dentro de si, a solitária
Solium, a picar-lhe as entranhas; toda a 
Multidão de planetas errantes já o 
Abandonou e mais sozinho ele ficou;
O solitário escreve, escreve, escreve e o 
Verme tênia rói-lhe o tutano dos ossos,
A sugar-lhe a medula cervical;  e quando 
Vem ao meio do qual é produto, o 
Solitário sente-se estranho, rola 
Fora da boca macia do ninho, passarinho
Que menino passou visgo na vareta e o 
Pássaro que não escapa da arapuca e 
Alçapões; o solitário tem um cordão
Amarrado na perna, não vai muito
Longe, olham-no com desconfiança,
Causa suspeita e ao ameaçar-lhe, chamam
A polícia; e o solitário, aturdido, volta 
De onde não deveria ter saído. 

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