domingo, 7 de fevereiro de 2016

Irritam-me as coisas e durmo mal e calor; BH, 0301102012.

Irritam-me as coisas e durmo mal e calor,
Mosquitos, coceiras pelo corpo todo,
Esfolo a pele com as unhas; janelas
Fechadas abafam o quarto, se abri-las,
Para refrescá-lo, enche-se de baratas;
Tudo irrita-me, fiquei doente, não
Falo, não conto, não penso; todos sabem
Ganhar alguma coisa, não sei ganhar nada,
Todos sabem dar alguma coisa, não sei
Dar nada, nem um muito obrigado; pudera,
Não quis combater a estupidez, não quis
Diminuir nem a ignorância, não posso
Mesmo esperar nada de mim, nem eu;
Cismo com estas porcarias destas letras, teimo
Com estas imbecis palavras, para quem?
Para mim tenho a absoluta certeza de que 
Não são; só aumentam-me a mediocridade,
Expõem-me ao ridículo e levam-me
A amaldiçoar a mim e à humanidade
Inteira; o que pretendo afinal? tive infância,
Adolescência, fase adulta para aprumar
E não aprumei; chego à velhice caquética,
À senilidade decrépita, doentio e quero dar um
Rumo, quero ter um norte, jé emborcado em
Mim, com o reboco a cair, os parapeitos e 
As fachadas a demonstrarem o caminho 
Da ruína; é para causar gargalhadas a todos,
É para causar zombarias, só posso acreditar;
E ao chegar a está conclusão, irrito-me
Inda mais e com insônia, coberto de suor,
Lençóis empapados, a arquejar e a praguejar,
Enterro estas linhas neste sarcófago de pavor.

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