terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Coluna velha e enferrujada e toda; BH, 01501102012.

Coluna velha e enferrujada e toda 
Retorcida e dobrada; colocá-la
Em pé, ereta, em posição de sentido,
Impossível; dói e reverbera a dor
Por todo o corpo carcomido; as mãos
Tão inúteis quanto os pés, tudo treme
E nada é firme; a boca não fica 
Mais fechada e os olhos não abrem;
Pelancas espalhadas, inchaços e 
O mau cheiro insuportável do que 
É velho; no quarto o ar não circula,
A luz não entra, a vida fugiu 
De muito e o que parecia vivo,
Jaz em cima da cama a imitar 
Defunto; os visitantes comuns são
As moscas, mosquitos, pernilongos
E algumas pulgas solitárias, fora
As muquiranas e os percevejos; mão
De obra que mestre de obras não 
Quer encarar nem com serventes e 
Ajudantes; o esqueleto rola para lá e 
Para cá, sem alicerce certo nalgum
Lugar; o coração bombeia um 
Sanguinho reles, ralo, outrora
Sangue disputado pelo mundo afora;
E os órgãos foram aos poucos: o 
Cérebro já parou, não comanda 
Mais; os pulmões quase a pararem,
A todo dia querem sufocar; fígado,
Rins, pâncreas, baço funcionam
Deficientemente e a digestão é 
Uma eterna congestão; o velho 
Analisa-se com desespero e implora,
Esperançoso, pelo dia derradeiro.

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