segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Meus amigos e meus inimigos e a deusa; BH, 01501102012.

Meus amigos e meus inimigos e a deusa 
Exaltação apoderou-se de mim e 
Quando vou escrever, ela está presente
A acompanhar o que escrevo; e digo a 
Vós, meus bons e maus camaradas, 
Digo a vós, companheiros viajantes de
Estradas, a deusa Euforia liberou-se e
Desagradou a deusa Moderação; meus
Irmãos e irmãs no bem e no mal, nesse
Vale escuro da vida e da morte, nesse
Pomar repleto das árvores das Ciências,
Quem dentre vós quis guiar esta mão
Pelas sombras? meus marinheiros das
Naus Argos, Catarineta, Santa Maria,
Pinta, Niña, inda vejo os riscos de 
Vossas embarcações nas faces dos 
Mares, nos rostos dos oceanos; inda 
Sinto vossas quilhas ferir as águas e os
Gritos das vigias ao avistarem as terras;
Meus deuses, meus santos, meus 
Demônios que brigais por mim, não 
Mereço essa disputa sangrenta; não
Sou porto, continente, terra firme
Para fundear partilhas; a vós, só 
Repreendo-vos, com estas escritas 
Proscritas, estes manuscritos 
Manufaturados com sangue de cordeiro,
Para que o primogênito não seja 
Assassinado; meus profanos e meus
Sagrados, meus pagãos e batizados,
É este o breviário, a hóstia, meu corpo,
Meu sangue; bebei-o é sangue de mel,
Comei o corpo, é carne de ovelha com
Pão de ló; o espírito, cada um de vós,
Levará uma parte à eternidade.

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