quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Meu coração não tem jeito é uma fonte; BH, 01101102012.

Meu coração não tem jeito é uma fonte 
De desejo que, não para de cantar,
Canta de dia, de noite e de madrugada,
A qualquer hora da aurora, alça voo
Para voar; meu coração peregrino, inda
De menino, sem ter peito para parar, 
Não há gaiola que o prenda, não cai
Em arapuca e nem se prende em visgo; 
Não há abrigo que o atraia, a não ser
O das estrelas, dos astros mais impossíveis
E os sóis mais brilhantes; meu coração
Não tem valor de diamante, é coração
De neandertal, as paredes dele, são
Todas cobertas, por poesias rupestres;
É um coração que já vadiou por todas
As eras da história; meu coração não
Tem jeito, nunca está satisfeito e é 
Cheio de defeitos e tira onda de 
Perfeição; não é um coração ágil,
Não tem mobilidade e agora a gordura,
O faz andar bem devagar; arfa dentro 
Do peito e reclama de tudo, a lamentar,
A chorar e não vê que agora é tarde; 
E não percebe que, a percepção voou
E bateu a porta do universo na cara 
Dele; meu coração cheio de sal,
Sal grosso e não tratado, perdeu 
A leveza do ser; embruteceu, virou 
Um calo de sangue pisado, não é 
Mais poleiro de vida, não é mais 
Soleira de porta, não é mais acelerador
De partida, ou de partículas, é só
Esta crônica ferida viralizada.

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