domingo, 7 de fevereiro de 2016

Queres falar comigo e com essa consciência; BH, 0501102012.

Queres falar comigo e com essa consciência 
De pedra, talvez penses que eu seja um 
Abrigo, um aprisco, afresco raro, ou um 
Artista lúcido, sóbrio, com a perfeição
Dos trabalhadores antigos ao criarem suas
Obras; desmamei de pouco, tropeço nas 
Pernas e o vento  inda tomba-me de lado
E vi em ti, a segurança de minha mãe e a 
Firmeza do meu pai que, abandonaram-me 
Na estrada; cordeiro, vou para longe, 
Depois da distância mais distante e teus 
Balidos não nos deixarão a afastar muito,
Logo atrairão as alcateias famintas; meu
Pastor, com o teu cajado, com a tua vara,
Afastaremos os impostores e suas garras 
Afiadas das minhas jovens carnes, que 
Tanto desejam; já não posso nem comigo
E terei que bater-me por ti? se não fosses 
Mau fardo, teus pais não o abandonariam
Aqui; vamos por outras sendas, as veredas
São verdejantes, as encostas são frescas,
Os atalhos refrigerados; gosto dos 
Espinhos e dos espinheiros, dos seixos, 
Dos cardos, dos calos nos pés e urge 
Colocares essa pele de lobo abatido por
Mim; carregues o semblante, feches o 
Cenho, arrepia-te os pelos, rujas ferido,
Esfoles o peito alvo nesses escolhos e 
Sigamos; não sairei do lugar, esperarei,
Aqui, quem vier devorar-me; Teócrito 
Não deve tardar e não violarei a mim e
A iludir-me no que não sou e aos outros 
No que não serei; bem, amparo-te, 
Dá-me a mão, e vem. 

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