terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Sinto que estou aceso archote e tocha; BH, 0501102012.

Sinto que estou aceso archote e tocha,
Pira, holofote, farol, fogo, braseiro; sinto
Que estou em chamas, inflamável, a 
Arder e a queimar por dentro; as letras
Saltam, carvões em brasas, as palavras
Pulam, tições fumegantes e cuspo fogo 
Pela boca e fumaça pelas ventas, dragão
Enfurecido; estou inquieto, irrequieto,
Abrasador de premonições, presságios e 
Aos borbotões, as elucubrações, saltam 
De mim, como se fossem assombrações; 
E todo sobrenatural, assaltado por razões
Desconexas, possuído por convicções
Intuitivas febris, passo a competir com 
Ariscos coriscos, raios que partem-me 
Em mil estrelas incandescentes; se entrar
No veio de um vulcão, saio de lá ileso, 
Se entrar numa fornalha, saio de lá sem
Ser chamuscado; sinto que fui ao núcleo 
De fusão do planeta buscar inspiração; e
Queimo-me literalmente, Dante Alighieri,
No fogo do inferno da imaginação; e
Nasce da minha criatividade anjos 
Mórbidos e obituários de ossadas 
Sagradas, purificadas por milhares e 
Milhares de anos na incubadeira; não
Sosseguei ainda, tempestade, vim para
Importuná-la, tormenta, cessarei quando
Contemplar minhas cinzas e delas ver
Ressurgir meus anseios, em forma das
Minhas sofridas poesias, em conexões
Com meus tortuosos poemas, que 
Sempre lançarão fuligens de fumaça nos 
Olhos dissimulados dos dissimulados.

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