domingo, 7 de fevereiro de 2016

Pergunto-me cheio de ódio e cheio de ira; BH, 0301102013.

Pergunto-me cheio de ódio e cheio de ira
No olhar e de raiva na voz, às carrancas que 
Olham-me das paredes: que tipo de ser
Humano que sou? encho os pulmões de 
Ar a quase engasgar-me: que espécie de homem
Posso incluir-me? as carrancas furam-me 
As costas com suas vistas profundas; e a 
Torcer e contorcer a boca enrugada, encaro-as com
O mesmo olhar de Beethoven; respondeis para 
Mim, rostos petrificados, faces de lajedos,
Semblantes de ladrilhos, caras de 
Azulejos, que tipo de ser aponta-os
Com tanto rancor na alma? aprisionados aí 
Nessas lajes, tetos, pisos, demonstram
Mais felicidade do que este que,
Aparentemente, apresenta-se como livre;
Não consigo enxergar desgosto em vossos
Espectros e eu, poço de desgosto, mágoa,
Decepção; ecoa entre vossas costelas,
Ouço a frustração, mas, qual de vós
Habilita-se a tirar da minha alma, do 
Meu espírito, do meu ser esta tontura 
De bêbado que não quer parar de beber?
Há sobriedade aí mo vosso mundo? há
Lucidez, há luz aí, ou só pedras? agradeço-vos
A indiferença; nunca em tempo algum
Vós perturbais-me e venho eu com 
Minhas perturbações a depositá-las em
Vossos altares, era só o que faltava; ou tomo
Vergonha na cara, ou tomo todas as cachaças?
E amanhã morro e vou aprisionar-me ai, 
Nas pedreiras, junto de vós? que boa ideia

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