domingo, 26 de julho de 2015

MIKIO, 181; BH, 020602013.

As letras não qualificam ninguém,
As palavras destroem e quanto
Mais letras, mais comprometimento
Com a desqualificação e quanto
Mais palavras, mais descrédito, mais
Desonra; tentei pegar uma letra
E elevá-la à potência do infinito,
Com a suposição de que, tudo
Elevado ao infinito, torna-se
Infinito; tentei pegar uma palavra,
E fazer o mesmo e os resultados
Foram desastrosos; não adquiri
Moral, diminui-me inda mais 
E não cresci para cima de ninguém,
Vivi na expectativa dum sonho,
Morri num pesadelo; e fingia ter
Qualidade, fingia ter valor e
Descobriam os fingimentos; e
Enxotavam-me e saia porta à fora,
A correr com o rabo entre as
Pernas; como tu fazes um negócio
Desse? apresenta uma letras
Surradas, já batidas em todos os
Universos; e apresenta umas
Palavras extintas, palavras que
Línguas não falam mais, não
Percebes que somos todos mudos?
Um sinal basta, um aceno, um
Grunhido, um gesto; não se fala
Mais com palavras de letras, deixa
De impertinência; só tu que teimas
Nessas reminiscências antigas, com
Ares de cemitérios, sem critérios;
A sociedade não te comporta mais,
Estás fora do contexto, deslocado, o
Mundo é muito moderno para te abençoar.

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