quinta-feira, 23 de julho de 2015

MIKIO, 186; BH, 040602113.

Todo o meu tempo é de vadio,
Tempo de vagabundo e de passar
A vida na vadiagem; é por isto
Que, tenho tempo, pois, todo o
Meu tempo, é de desocupado, de
Preguiçoso e de ocioso; aí, pego
Uma caneta e vou fazer a coisa
Mais abominável do mundo: vou
Escrever e o que é pior, escrever
Poesia e o mais terrível de tudo
Ainda, escrever poema; tenho todo
O tempo do mundo e passo as horas
À toa, um inútil párias das letras a
Escrever inutilidades; um simplório
Parasita das palavras e suas
Futilidades e que sem-vergonha,
Poderia fazer alguma coisa, construir
Algo, trabalhar no mercado neoliberal,
Não, só a tecer loas ao nada em
Linhas de folhas de papel, que nem
Infinitas são e que mortal nenhum se
Preocupará em lê-las; todo o meu
Tempo é assim, infelizmente e se
Morrer hoje, terei de ser enterrado
Como indigente, junto aos do
Cemitério Perus, por não ter para o
Caixão e sepultura;  todo o meu
Tempo é de defunto, como o passo
A maior parte, a dormir; e dizem
Que, o sono, é o prenúncio da morte,
O meu tempo é tempo de finado;
Se inda sonhasse a voar, a visitar
Palácios, a conhecer castelos,
Cordilheiras de montanhas silenciosas
E um dia em que tivesse acordado, teria 
Coisas para contar: ao menos uma história.

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