domingo, 12 de julho de 2015

Patagônia, 1155, 9 a; BH, 02601202011.

No meio do temporal tateei cada gota d'água
Que desabava das paredes impermeáveis do firmamento
E das colunas inoxidáveis que sustentam os céus;
E escrevi com meu sangue no fluido, as histórias de colecionadores
De bens, tesouros, riquezas, cifras, notas, moedas,
Porém, os loucos como nós, meus infinitos e eus,
Colecionamos outras eternidades, outros para sempre,
Porvir, insondáveis universos, metáforas, medição do
Tempo que faz o grão virar rocha e a rocha virar pedra e a
Pedra virar pedreira e a pedreira virar montanha e a
Montanha virar cordilheira, numa evolução da espécie que
Darwin não previu; e nunca estou ao pé dum mesmo rio,
À encosta duma mesma montanha, ou a latejar num
Mesmo universo; tudo em mim, a todo momento, se
Move de lugar e muda como uma muda enraíza-se na terra
A gerar florestas, matas virgens e intermináveis
Matagais; e cada árvore não é a mesma árvore a
Folha a mesma folha, a flor a mesma flor e o fruto o
Mesmo fruto; e nada é o mesmo nada e nem o tudo
É o mesmo tudo; mas, a roda errante do universo pelo
Espaço, é certa, cronometrada e intransferível; nós, os
Loucos, meus entes indecifráveis, nós, meus espíritos
Perturbadores, esquizofrênicos, colecionamos o quê?
Como? colecionamos vendavais em desertos, tempestades
Solares, Auroras Boreais; colecionamos as cores das
Cores das cores das cores do amanhecer do amanhecer;
Colecionamos as cores das cores das cores das cores
Do entardecer do entardecer; e chuvas nas madrugadas
Prolongadas pela preguiça do dia em acordar a noite
Para não espantar a poesia; colecionamos sussurros,
Suspiros, soluços de fontes virginais; e remansos de
Estradas vicinais, de passeios lunares por trilhos
Terreais; e sombras que correm a se esconderem
Por detrás dos montes, monstros, dinossauros, titãs
E gigantes que avistamos ao longe quando fechamos os olhos.

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