terça-feira, 14 de julho de 2015

Patagônia, 927, 2a; BH, 0100402012.

Oh, Deus salve o Santo Graal, oh, Deus salve o
Santo Sudário, a Coroa de Espinhos e a
Esponja embebecida em vinagre e água; oh,
Deus salve o fogo da terra, as pedras das
Lápides onde foram escritos os Mandamentos,
Que homem nenhum jamais seguiu e fez sempre
Questão de quebrar; oh, Deus salve os palestinos,
Vítimas do ódio racial dos judeus de Israel, oh,
Deus salve os santos negros africanos e as santas
Negras também; oh, Deus salve todos os
Defuntos feitos pelas religiões, oh, Deus salve
As almas dos Lázaros que, de dentro dos
Sepulcros, não saíram ao ouvirem os gritos e
Viraram múmias de faraós, envolvidas em
Linhos e presas nos sarcófagos das câmaras
Mortuárias das pirâmides construídas pelos
Deuses desconhecidos; oh, Deus salve os
Deuses desconhecidos e que não pedem fieis,
Penitências, confissões, comungantes, celebrações,
Cânticos, cantigas, hinos, ofertas, oferendas,
Altares, pesares, almas, espíritos, sangue, suor,
Ou libações em vinhos, ou cervejas; oh, Deus
Salve o sonho eterno, o sonho que virou
Pesadelo; oh, Deus salve os elfos dos bosques,
Os gigantes, os titãs, os monstros interplanetários,
As luas sem sóis e os sóis sem luas e os universos
Sem núcleos e os pontos que têm dentro de cada
Ponto infinitos pontos sem pontos; e abençoa os
Azarados, que não trazem dentro de si a sorte dos
Sortudos felizes e alegres, que são a maioria dos
Salvos; oh, Deus salve os que não estão salvos,
Que bebem todas e vivem jogados pelos botecos
E correm desesperados e ansiosos pelas madrugadas,
Atrás de meretrizes e putas desprezadas pelos
Mendigos do luxo e da luxúria; oh, Deus salve os
Mendigos sem banquetes, que alimentam-se do lixo
E não têm as almas recolhidas pelos evangelhos, pela
Cabala e nem pelo Corão; oh, Deus, salve os
Decapitados, enforcados, empalados, sodomizados
E seviciados, Gomorras de marfins, mármores brancos e
Aços inoxidáveis; oh, Deus salve os loucos, cujos
Cérebros os abutres devoraram e cujas mentes os
Vermes roeram; oh, Deus salve as crianças atiradas
Vivas nas fornalhas do ventre de Moloch; oh, Deus
Salve esta oratória, esta ladainha, esta história que
Virou sangue, este sangue que virou carne, esta carne
Que apodreceu; oh, Deus salve esse púlpito que caiu, essa 
Cruz que cupim roeu e este mundo imundo que, também 
Ruiu; oh, Deus salve os que se contentam com tão pouco.

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