quarta-feira, 15 de julho de 2015

Patagônia, 927, 30; BH, 030102012.

A única coisa que, faz o homem se lembrar
De alguma coisa, é a dor; a dor, penso,
Que, verdadeiramente, faz o homem
Existir; e o homem pode dizer sem dor:
Não sou, não sinto, não penso, não existo;
Sem dor não amo, não tenho paz, não
Durmo; é por isso que digo: a companheira
Do homem é a dor, sem dor não há vida
No homem, sentimento, sentido, razão;
Sem dor o homem não procura respostas,
Saídas, sanidades, soluções; quem não
Conhece a dor, não vive, e na certa, não
Conhece a vida, pois, vida sem dor não é
Vida, é morte; minha dor vive em mim,
Vive em minhas paredes, portas e janelas;
Vive nas minhas salas, quartos , cozinha,
Banheiro; todas as minhas casas e
Moradas, são habitadas pela dor; dor
Visceral e infinita, antiga, que gira e
Renova, moderna; não durmo sem dor e
Durmo com a dor em meu corpo, e até
Em minhas sombras, a dor dói em mim;
Tem nome e sobrenome e endereço,
Sexo e registro civil; é uma dor inocente,
Pura, mas, que machuca-me lá no fundo;
E amo esta dor e não quero nunca não
Livrar-me da minha dor, pelo contrário,
Quero estar a cada dia aprisionado, mais
Preso nas paredes de suas cavernas,
Eternamente acorrentado.

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