quarta-feira, 15 de julho de 2015

Patagônia, 1155, 6; BH, 02201202011.

Realmente, nem tudo está perdido, inda
Há beira de mar, margem de rio, borda
De lagoa, beira de lago; e cacimbas,
Caçambas, cisternas, realmente, nem
Tudo está perdido; e não desminto,
Ainda há suspiros de jovens apaixonadas,
Sussurros de amantes e murmúrios de
Beijos no escuro; há taças de vinho a
Transbordar, pomares de parreiras,
Oliveiras; não desminto a realidade e
Nem a natureza, ou a verdade, alguém
Tocará um piano, soprará um saxofone,
Ou um pistom e escreverá à mão uma
Lauda; manuscritos e partituras antigos
Serão descobertos, ossos envelhecidos
E fossilizados serão reverenciados; e
Alarmistas, profetas, pregadores das
Vindas dos caos e dos infernos e do
Juízo final, nem tudo está perdido,
Repito e não desminto, torno a
Repetir, apesar das cremações, as
Cinzas sobrevivem como Fênix; todos
Os dias nascem e morrem pessoas
Na infinita renovação; e se houver
Hecatombe, alguma semente restará
Para geminação; e as crianças? as
Crianças teimam em nascer e querem
Exterminá-las, jogam-nas no lixo, das
Janelas, dos carros, abortam-nas e
As crianças teimam em nascer, para
Dar continuidade à nossa história; e
As crianças são sagradas, mas, são
Profanadas por muitos heréticos,
Com suas heresias, que impedem as
Crianças de tudo; deixai vir os
Pequeninos e suas prioridades, pois
São a evolução da espécie, são a
Certeza e a esperança, de que,
Realmente, nem tudo está perdido.

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