quarta-feira, 22 de julho de 2015

MIKIO, 188; BH, 0180602013.

Costurei nuvens, teci mosaicos dos
Montes, onde encontrei a minha
Inspiração, o melhor momento de
Minha vida; usei luz das estrelas,
Fios de brisa, tapetes persas de
Orvalho e sereno, mantos reais feitos dos
Mantos da terra, cetros de varas de
Carvão de lavas de vulcões de planetas
Onde o universo inda vai começar;
Do caos a noção não foi formada
E já a poesia pairava aos pedaços,
Rasgada aqui, um retalho ali, à
Espera dalgum costureiro, dalgum
Alfaiate a cozer, a cerzir, a
Alinhavar, o que, antes dalgum
Poeta existir, reverberava, pulsava,
Fremia, engatinhava, bem antes da
Definição, de que, o caos geraria o
Universo; costurei o ar, para que,
Não fugisse para o vácuo; cosi a
Água, para que, não derramasse
No abismo; de retalho em retalho,
De remendo em remendo, forcei
A força de gravidade para debaixo
Dos meus pés, a achatei, a pisei e
Fiz dela a minha raiz aqui;
E um dia paro e a poesia
Continua a pairar e talvez, só
Em estado fantasmagórico, a
Encontrarei de novo, eterna como
Sempre, em estado bruto de antimatéria,
Em energia de sol, nunca dantes
Imaginado, como a nascer de
Mares cósmicos, nunca dantes navegados.

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