domingo, 27 de outubro de 2013

A obra é de pedra bruta; BH, 02601002013.

A obra é de pedra bruta, 
E é de diamante não lapidado, 
E não é parente, nem prima da m
Matéria; não se encontra em nenhum
Estado, elemento, ou organismo;
Está fora do ar, do eixo, e da
Casa; não está à mesa, no prato,
No simulacro, na fumaça, ou na
Névoa, a obra está onde não está;
No ontem, no hoje, no amanhã, a
Voar de época em época, de geração
Em geração, pelos séculos dos
Milênios; a obra faz careta, usa uma
Máscara, muda de face, transplanta
O rosto, contorce a cara, carrega o
Semblante, e olha com olhos de
Indiferença, que dói mais de
Que uma facada no peito;
A obra é um defeito, um tempo
Imperfeito, e nem todos a desejam;
E ela voa de madrugada à
Noite, e não pousa num repouso,
Não pousa num ombro, num
Dedo duma mão ansiosa; a obra
É serelepe, uma lebre saltitante,
Uma águia em rasante, a
Nos entregar a caça que não
Soubemos caçar, e a perdemos do
Laço, para nunca mais voltar;
E é arrebatada pelo universo,
É de novo reencarnada pelo
Infinito, e como um cometa,
Que vai ao fim da eternidade,
Só na outra posteridade, que
Estará de volta nas garras
Duma nova águia peregrina.

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