sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Maria da Conceição Santos Medina, Então papai comprou uma cartilha.

Então papai comprou uma cartilha, e
Começou a ensinar-me a ler;
Logo aprendi tudo que ele pode ensinar,
Passado alguns tempos, papai teve que
Vender o que ele adquiriu como meeiro;
E assim ele comprou uma pequena
Fazenda onde continuamos e vivemos
Mais ou menos por uns quatro anos;
Sem escola e sem condições de aprender,
Já eu estava bem grande: era 1930;
Aí meu pai perdeu tudo que tinha, com
A queda do café, não dando para ele
Pagar as dívidas; o lugar foi para a
Praça e nós tivemos que mudar às pressas;
Meu avô, pai do meu pai nos levou para
Sua casa, num lugar chamado Valão;
Nesse lugar entrei em uma escola pela primeira vez,
Já grandona, fiz um primeiro ano brilhante;
Papai saia sempre para trabalhar nas fazendas
E demorava voltar; uma vez ele foi e não
Voltou por seis meses;
Mamãe achou que ele estava demorando,
Resolveu nos levar para a casa da minha avó;
Nesse tempo que moramos no Valão,
Nasceu minha irmã Lourdes;
Minha avó morava num lugar de nome São Mateus,
Desde da Boa Sorte que a minha mãe bebia,
Mas durante o tempo que morávamos no Valão
Ela não bebeu; aí, no São Mateus, comecei a trabalhar,
Para o sustento dos meus pais;
O meu serviço era num engenho de moer cana,
No qual eu batia tacho para fazer rapadura.

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