quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Venho perante a este tribunal a desonrar-me e quero; BH, 0190502001; Publicado: BH, 01001002013.

Venho perante a este tribunal a desornar-me e quero
De público, tirar os ornatos, ou os enfeites de mim, quero
Desenfeitar o meu rosto; como alguém que tira de si os
Adornos, preciso mostrar o rosto desornado, singelo, e
Desenfeitado, para que alguém possa gritar: olhais, é um
Rosto de homem; estava escondido, estava com
Máscara, coberto pelo medo, debaixo da covardia, mas,
Vejais, à luz do dia, é uma face humana, sim,
Parece ruim, mas é a cara dum representante da
Raça humana, que bastou de desorganizar-se; cansou de
Desordenar-se, e agora, veste pelo diferente, chegou quando
Nasceu; ao receber a palmada, chorou, era um pranto
Dum desorganizador, dum confusionista, mestre
Desordenador, desordeiro-mor, e na loucura do não
Saber explicar-s, quis imitar para desorelhar-se, e veio a
Arrancar as próprias orelhas, tirar as arrecadadas, e as oferecer
A alguma namorada, como um louco gênio da nossa
Antiguidade, que criou um estilo desarranjador de
Pintar amarelos em óleos sobre telas; e venho desorbitar então,
Exorbitar em nome da paz, exceder em nome dum
Amor, exagerar em favor do universo; e o universo
Não precisa de mim, mas preciso dele, fugir da
Desopressão da matéria; e desoprimir com alívio, e
Desafogo o fogo desopilativo, a desopilante satisfação,
Alegria do meu povo; é a desinchação, isso quer dizer,
Que o sangue irá jorrar pela desobstrução, a desopilação
Que a inflamação estava a causar em nosso coração; e
Peço a Deus nesta oração, para que eu deixe de ser tão
Desonroso, vergonhoso para o meu país, desonrante para
Meus irmãos, e deixar de ser o que desonra, por ser o desonrador
À família, e aos filhos; e peço a Deus para deixar de ser tão
Sem-vergonha, e desbriador, e conseguir um trabalho, ou
Um emprego, e ter um salário, e pôr fim à desonradez,
E a este estado de desonrado, que só aprendeu a desonestar
Os semelhantes, Deus pode desobrigar-me, pode, se
Quiser, isentar-me de culpas; exonerar de mim as
Faltas, ao conceder o perdão, ao desonerar-me deste fardo
Vão de vagabundagem; de vadiação extrema, ociosidade
Mórbida, desocupação de pária parasita que não sabe
Aprender a ser desobstrutivo, destrancador da própria porta,
Desimpedidor do próprio auto impedimento; quando,
Meu Deus, irei desentenebrecer? responda-me, quando
Irei aclarar o que se passa dentro de mim? é tão
Bom o dissipar das trevas, o desobscurecer do opaco do ser; o
Buraco negro desobrigatório, o quasar que desobriga, a
Luz da desobrigação, o astro sol que desobriga, que
Mostra o dever, a obrigação do homem; a quitação
De cumprir o preceito pascal, mas sou teimoso,
Vou desobedecer, recalcitrar novamente; não tem
Jeito, é o meu insubordinar no gesto, revoltar desnudo da
Mídia podre, nu da moda, despido da grife; é a nudez
Da marca, a desnudez da etiqueta, o tornar desnudar, e
Despir, o virar índio, com desnudamento, despição de
Luxo, falsos valores, falsos poderes, podres poderosos: voltar
À desnudação, e desnucar na passarela; deslocar a cabeça
De quem pensa que tem cabeça, quebrar a nuca de
Quem nunca usou a nuca; e desnublar, olhais que
Coisa tão mais importante do que tudo: dissipar as
Nuvens, e dar de cara com azul de céu tão azul do céu;
Não poderia existir nada melhor: todo a olhar
Tudo em si desnublado: a ver limpo, diáfano, e
Transparente, a desnuar o fragor desnorteador do que
Não é, o furor desnorteante do não sido; e que
Desnorteia horror, terror desorientador, que íris mais
Desnodoso, que cristalino que não tem nós; tirais as
Nódoas ao limpar, venho desnodoar, e quero saber para
Que o desnivelamento, o desnivelar o nivelamento?
Quem não será pó? quem não cheirará mal? eu?
Tenho diferença de nível, altos, e baixos, desnível na
Baixeza; e na desnitrificação, na passagem de nitratos a
Nitratos, e liberação de nitrogênio elementar, meu caro
Watson, a partir desses por ação de micro-organismos, eu
Bactéria, e cogumelos desnitrificantes; olhais, desculpeis, preciso
Ler alguma coisa que já escrevi, para certificar-me de
Que já escrevi alguma coisa, não tenho mais como
Separar o níquel, o meu acabou, não tenho mais
A desniquelagem de desniquelar-me; já fiz desnevar as
Trevas frias que encobriam-me, já fiz derreter a
Neve negra, a geada escura, a minha alma já pode ficar
Desnevada, e o espírito sem o entulho de que estava
Coberto; venho ao desnervar-me, cheguei para desenervar-me,
E barrei o meu desnaturante natural, nada mais desnatura-me,
Como o que altera, ou adultera uma substância, que
Perderá o efeito ao desnaturalizar-se, como o tirar os direitos
De cidadãos dum país, ao pervertê-lo; corromper a natureza
De uma nação, a aumentar a desnaturalização, já
Dizia a sábia da minha avó: se prender dá nó
Nas tripas, e peidava, e não via nada de excêntrico, e
De desnatural, ao peidar sem preconceito de causa;
O inverossímil sem naturalidade dela, era bem natural,
Audível, nada desnatural, ou artificial; não se
Preocupava com a desnaturação, se iria para o
Inferno, ou se iria para o céu a alma dela; o
Espírito dela era ela, e só, acabou-se, e não irei
Aqui desmiudar, pormenorizar, e converter em miúdos
A memória dela; mas ela não quereria saber que algum
Radical leva acento agudo nas formas rizotônicas,
Vide desmiúdo, e desmiúdos; e o desmobiliar da casa dela
Era fácil: um pote, uma moringa, uma talha tão
Velha quanto ela, ou mais; podia desguarnecer de
Qualquer maneira de mobília, ou de aposento, podia
Desmobilar, que ela sorria, pois não era ligada a nada:
Nem a preceitos, e nem a princípios; tinha o sentimento
Desmobilizável, e nunca a vi irar, odiar, xingar, e sabia bem
Desmoitar a raiva; desembaraçar, e limpar como se fosse do
Mato, e plantas silvestres; não tinha terreno para cultivar, e
Rancores era para desbastar vegetação daninha, e o
Culto, o instruir, o civilizado, não fazia monta, e levava
Desmontada, o cabelo desmontado, apeado de índia, tão
Desorganizado, e desarranjado, que era comprido, e
Tanto de belo, quanto de bonito o cabelão da minha avó.

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