segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Saibais quantos este depoimento virdes ou lerdes e que; BH, 01º0402000.

Saibais quantos este depoimento virdes ou lerdes e que
Nada de novo tenho para dizer: nem de revolucionário,
E nem de radical; pois tudo já se foi dito, e pensado no
Mundo, e no universo: novidade nenhuma surge;
A essência acabou, a vida é morte, e a fragrância
Cheira mal; e a cultura virou lixo, e o intelectual
Padeceu pela falta de interesse, e pela procura de
Outros espaços, por aqueles que desistiram, e abriram
Mão do conhecimento, da sabedoria, e da inteligência;
A humanidade empobreceu cada vez mais, o homem
Diminuiu, virou pasta, derreteu-se, e ficou invisível; e
Enclausurado no casulo, perdeu a oportunidade da
Metamorfose, perdeu o pique, a fantasia da masturbação;
E do onanizar mecânico, perdeu a patente do próprio
Invento; e o vento não sopra mais na inspiração da razão,
E se perde, tal criança  perdida na poeira da areia do
Deserto; tal leãozinho desgarrado, a morrer de fome,
Longe dos pais, sem proteção, e sem cuidados suficientes;
Não adianta tentar procurar, a encontrar uma forma,
Uma fórmula, que sirva para justificar a falta de
Capacidade, e competência; a falta de ânimo, e
Força de vontade, paixão, e fé: só um iceberg jogado
À cratera do vulcão em atividade, em erupção;
Do resto nada poderemos esperar, a não ser a hipocrisia,
A demagogia, a falsa atividade da mentira, de
Quem faz para o espelho, faz para a mídia, para a
Valorização superficial, inócua, vazia, pobre;
É por isso que não sei, e nem quero dizer nada, pois
As palavras são vãs, fracas, inúteis, e não comovem;
As palavras são velhas, e as novas são desconhecidas,
E as que estão na moda, morrem cedo, não são
Resgatadas nas nossas memórias; e as gírias usadas
Não nos confortam o espírito, e nem refrigeram a alma,
E ao andarmos no vale da sombra, e da morte, temeremos,
Por que dos bons, Deus nos livrará, e dos maus o Diabo
Nos livrará; reagiremos, e agiremos de acordo com os
Princípios básicos que compõem a formação humana;
Estou lá embaixo, no rás-do-chão, ao pé de
Mim, estou a mastigar a carne nervosa, crua
Na autopsia adquirida numa mesa de necrotério;
O corpo ainda se encontra vivo, aberto, a sangrar,
O espírito ainda não vingou, não vigorou, e foi banido,
Expelido num parto dos mais dolorido; a criança estava de
Costas, a cabeça do lado contrário, voltada para cima;
Morri neste parto inútil, morri na dissecação,
Com o mesmo medo de sempre, com a
Mesma covardia conhecida, e não fui, e
Nem parti para sair da mesa eterna do
Altar profano, amaldiçoado, do púlpito violado,
Excomungado por todos os papas das religiões;
Torturado por todos os inquisidores da hóstia consagrada,
Da água benta, dos milagres, das penitências;
Do capital liberal lavado no átrio do templo,
Da igreja de cifras, e lágrimas, e choros, e pecados;
O arrependimento, e a salvação, e tudo o
Mais que todo poder do dinheiro pode comprar;
Prefiro neste depoimento, me livrar de minha
Língua, e me livrar das minhas palavras,
Alimentar meu silêncio turbulento, de chumbo
Pesado tal o precipício sombrio feito raios de
Sol que caem resolutos pelos buracos das nuvens.

Nenhum comentário:

Postar um comentário