sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Atentado tentei contra a minha existência; RJ, 02201101996.

Atentado tentei contra a minha existência,
Fiz tudo que não deveria fazer;
Enchi-me de gordura e sal,
De açúcares e de massas;
Sou um atentado,
Bebi de tudo que não poderia beber;
Perdi meu fígado,
Pâncreas e rins;
Meu estômago virou um abismo
Dilacerado e infinito, e
Nem as paralelas estão lá;
Meus dentes careados,
Mordem qualquer coisa,
Ou às vezes nem mordem
E só vou a engolir,
Do jeito que chega à boca;
Sou um digno de pena;
O bombeiro falou comigo,
O capitão e o guarda,
A assistente social
E o pastor da igreja;
Pedi ao padre,
Preza por minha alma,
Acenda uma vela,
Reza um Credo e um Padre Nosso,
Canta um cântico,
Uma cantiga antiga;
Vou atentar contra a minha existência,
Vou dormir um sono,
Sonhar um sonho
E não acordar mais.

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