sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Moço; RJ, 02601101996.

Moço,
Não me mata,
Não me corta com facão;
Sou menino africano,
Do campo de refugiados,
Minha tribo,
Não sei não;
Sou do campo de concentração,
Do Gueto de Varsóvia,
Sei de onde,
Também não;
Sou só um menino
E que culpa tenho
De ter nascido?
Nasci no Soweto,
Se é que se pode dizer,
Que quem vive ali, nasceu;
Culpa não tenho eu,
Pai não tenho mais,
Minha mãe morreu;
Não me mata, não;
Sou refugiado,
Não tenho pátria,
Não tenho nação;
Ontem não comi nada,
Hoje também não vou comer;
Não vou chorar para ti,
Meu pranto se esgotou;
Sou menino de aldeia,
De tribo de floresta;
Não sei o que aconteceu,
Abri os olhos agora,
E deparei contigo,
Com esta ponta afiada de facão,
No rumo do meu coração.

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