terça-feira, 10 de novembro de 2015

Como é triste um cérebro que não existe; BH, 0260602013.

Como é triste um cérebro que não existe
E como é triste o vácuo cerebral;
Quer ter uma opinião, marcar
Uma presença, protestar; quer ter
Cidadania, soberania popular,
Brincar de democracia; rasga
As bandeiras, quando as bandeiras
Não deveriam ser rasgadas; destrói
Os monumentos onde os sonhos
Estão guardados, vasculha as
Gavetas do passado e lança à
Fúria dos ventos, os papeis velhos,
Com as velhas poesias escondidas,
Nunca mostradas a ninguém; e lá
Está escrito, nunca diga nunca,
Mas quem ler as velhas poesias, os
Poemas rotos, os registos rupestres?
E o velho cérebro passeia entre os
Anônimos, procura um rosto, uma
Face, uma cara e só encontra
Máscaras; estamos todos num grande
Baile de carnaval? não, há uma
Poça de sangue ali, um cadáver
Acolá, estamos numa revolução?
Há uma revolta aqui, uma insatisfação
Cá, quem atirará a primeira pedra?
E o cérebro quer a emancipação
Da favela, a liberdade do gueto, vez
Para a periferia, voz ao subúrbio, o
Fim do esgoto a céu aberto; alto lá,
Volta para dentro da tua cabeça; mas
Foi um golpe de cassetete, que me
Mandou para fora, numa fratura craniana.

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