domingo, 15 de novembro de 2015

O papel do desocupado é ocupar; BH, 060702013.

O papel do desocupado é ocupar 
Papel; ocupe papel e foi o que 
Fiz em toda a minha vida e não 
Tive um papel relevante, mas, 
Todo papel que tive, ocupei; não
Escolhia as letras, não escolhia
As palavras, não escolhia o papel,
Fazia o meu papel, ocupava o 
Papel em todas as faces, rostos,
Caras, folhas; e não importava-me
Se era explícito, não incomodava-me
Se era implícito, o que aborrecia-me,
Era quando, de noite, ou de dia, 
Não ocupava um papel, com um 
Poema, ou com uma poesia; não
Pensava em estrutura, não imaginava
Tema, não ia atrás de nada; apenas
Parava, sentava, ou ficava de pé, 
Observava, soltava a mão pela 
Estrada, pela linha do horizonte, 
Pelas linha paralelas, das estradas 
De ferro, dos caminhos e pelas 
Órbitas universais do infinito e 
Quando dava por mim, todas as 
Folhas estavam ocupadas por um 
Desocupado, cuja desocupação
Nunca terá fim; se tivesse nascido
Para ser alguma coisa, ter um 
Título, um rótulo; se tivesse nascido
Para encher paredes de diplomas,
Nunca teria nascido; e nasci
Justamente para não nascer, para 
Não ter; em mim quem nasce são 
As letras, as palavras; elas que 
São-me, elas que têm-me, sou 
Algo que não convém a outra coisa.  

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