domingo, 15 de novembro de 2015

Tempos bons eram os tempos em que; BH, 070702013.

Tempos bons eram os tempos em que
Vivia cercado pelos meus avôs e avós;
Eram tempos gloriosos de tios e tias,
Que venerava, respeitava e adorava;
Tempos inocentes eram os meus tempos
De primas e primos, os tempos das cidades
Do interior; se pudesse voltar a conviver
Com as cantigas e as rezas das minhas avós
E os causos e as histórias dos meus avôs;
E as brincadeiras que não acabavam mais,
Pelas ruas em poeiras e nos dias de chuva,
Pelas lamas e enxurradas; e as árvores
Que devorávamos: frutos, flores, folhas e
Galhos; tempos bons que a memória não
Apaga e a toda hora revivo na lembrança,
Uma passagem de quando era criança;
Não importava com nada, vivia o
Mundo de cabeça para baixo, dava
Estrelas, plantava bananeiras e
Em qualquer confusão, para proteger,
Tinha sempre um irmão; e na hora
Das surras, quem valiam eram as avós;
E quando íamos para as fazendas a pé?
Eram caminhadas e mais caminhadas
Em longas estradas, em meio às
Brincadeiras, banhos de rios, roubos
De frutas e fugas de cobras e bois
Bravos; eram barrancos, cercas, matos,
Capins, areias, pilões, moinhos, garapas,
Água de coco, dormir enrolado em pele
De carneiro, conversar ao pé da luz
Do candeeiro, tempos bons, ninguém
Precisava de dinheiro.

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