domingo, 1 de novembro de 2015

MIKIO, 11; BH, 030202013.

Forasteiro, quem és? um ente à procura duma
Letra mágica, cabalística, encantada que, em
União com outras, formem uma palavra que,
Ao ser pronunciada, destrua todas as nossas
Muralhas; que palavra é essa, forasteiro, da
Qual nunca ouvi falar? é uma palavra bem
Antiga e a primeira palavra pronunciada
Por um homem, também bem antigo e o
Som dessa palavra foi gravado numa pedra
E lançada dum desfiladeiro, num abismo; e
Inda hoje vago, de universo em universo, a
Cavalgar a esperança, de um dia encontrá-lo;
Forasteiro, muitos são os desfiladeiros, como
Muitas são as palavras e muitas são as
Pedras lançadas em desfiladeiros a fazerem
Ecos em abismos; sei e não desisto, preciso
Livrar a humanidade da imperfeição, se a
Máquina é tão perfeita,  por que quem habita
Essa máquina não pode ser perfeito? e uma
Vez, quase consegui o intento, num paneta
Pelo qual passei, cujo vento dizia-me, que o
Eco dessa pedra, havia viajado para ali, mas,
Foi contrainformação e ao chegar lá, nada
Encontrei; voltei de mãos a abanar; ora, ora,
Ora, forasteiro, cheiras-me a morador de
Hospícios; há de ser um louco, que irá
Libertar-nos da loucura, mas, não quero
Ser este louco, se encontrar a primeira
Letra e descobrir a segunda, ou outras
Quantas que não sei quais são, formarei a
Primeira palavra e a deixarei aos cuidados
Dela própria e de quem a atingir ao procurá-la.

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