domingo, 15 de novembro de 2015

Meus poemas vão ficar por aí largados; BH, 030702013.

Meus poemas vão ficar por aí largados,
Jogados em latas de lixo, abandonados,
Porque teimo em criá-los? porque
Insisto na poesia? e perco a alegria na
Condição de saber o destino que terá a
Minha obra; com certeza não encontrará
Interesse dalgum leitor, não passará por
Crivo dum crítico, ou de amante que
Quererá com ela copular; e isso só
Causa-me tristeza, muita melancolia e
Decepção; é como se fosse um filho
Amental, de impossível convivência,
Que tivéssemos de abandonar num
Internato para insanos incuráveis; e
Haja choro, lágrimas para prantear e
O que faço é isso, como se já fosse
Enterrar um defunto em cova rasa; se
Ao menos inda desse um outro destino
Ao que imagino, se inda mudasse a
Rota, talvez pudesse depositá-los
Numa urna de gala; erguer um panteão,
Um pedestal com inscrição, que todos
Pudessem apreciar sem depreciação; se
Garantissem-me que meus poemas
Não vão ficar por aí, comidos de
Traças, de ratos, meu coração bateria
Muito mais forte do que a bateria da
Escola de Samba Estação Primeira de
Mangueira, do meu querido maestro
Maior Antônio Carlos Jobim.

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