domingo, 17 de maio de 2015

Monte Simplon, 550, 9; BH, 0160502012.

Ai, meus poemas, meus poemas, meus poemas
Esgotados, superados, sem rimas, métricas,
Antiquados; poemas ultrapassados e que não
Vingam, por mais fértil que seja o terreno onde
São lançados;  e o semeador inda não soube
Escolher uma ceara que não tenha espinhos e
O semeador teima em os lançar nos desertos,
No meio das rochas, num canteiro de pedras; e
Machucam-se e feridos não sobrevivem à
Modernidade, à cultura, ao meio das obras de
Arte e das obras-primas; ai, meus poemas,
Meus poemas, meus poemas póstumos, quem
Os aditarão no futuro? quem os protegerão?
Nasceram órfãos, inválidos, capengas;
Nasceram com síndromes, esquizofrênicos,
Mancos; nasceram com pânicos, trágicos,
Elegíacos; quem os carregarão nas costas,
Os amamentarão e os jogarão às luzes da
Ribalta? meus bons e maus companheiros,
Temo por vós e não gostaria de ver-vos
Extintos; meus bons e maus amigos, das
Mais diversas e adversas horas, nunca
Abandonais-me, e vos abandono, mendigos,
Indigentes, sem tetos, sem terras; inapto,
Faço-vos  inaptos, fetos acéfalos
À espera do aborto fatal.

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