quinta-feira, 14 de maio de 2015

Tereza Mota Valadares, 190, 5; BH, 080502012.

Caçam-me como se eu fosse um facínora
Bandido, fora da lei; querem lançar-me à
Fogueira, como se eu fosse um herege,
Uma bruxa do tempo da inquisição;
Perseguem-me, censuram-me,
Criticam-me, fecham-me as portas das
Academias, como se eu mendigasse
Títulos, conceitos, referências,
Condecorações; fecham-me as portas
Dos liceus e até das igrejas e não
Incluem meu nome em nenhuma relação
De candidatos a eventos de quaisquer
Espécies; ao simples pronunciar do meu
Nome, arrepiam-se, eriçam-se, coçam-se
E têm vertigens; e bloqueiam-me as
Entradas, as estradas, as saídas de
Emergência; entopem os exaustores, e
Os purificadores de ar, e deixam a fumaça
A sufocar-me; lançam-me bombas de
Efeito moral, atiram-me balas de borracha,
Borrifam-me com spray de pimenta, e
Afugentam-me com fortes jatos d'água;
Batem-me com cassetetes e não passo
Nem nas portas dos palácios; e
Algemem-me, depois de atingirem-me
Com pistolas elétricas; e não posso
Reivindicar nenhum direito, ou a minha
Própria liberdade individual: sou professor.

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