terça-feira, 26 de maio de 2015

Rio Grande do Norte, 916, 18; BH, 040702012.

Desesperados, é a barca dos desesperados
À deriva em alto-mar; é a nau
Dos desesperados sem rota no oceano;
Desesperados, é a nave dos desesperados
Fora da órbita no universo; navegam
Às cegas e vaga-lumes e pirilampos têm
Mais luz do que os insensatos; e os morcegos
E as toupeiras enxergam mais; e os deuses
Que veneravam escondem-se em seus montes,
Morros, montanhas; fugiram para as sua tocas,
Grutas, locas, cavernas e aos desesperados
Restam o choque inevitável com o finito,
O retorno ao caos; tentaram equilibrar
Nas moléculas, mergulhar na matéria,
Partir os átomos; fizeram de um
Tudo com todos e a todos e com
Eles mesmos; só não fizeram por onde,
Deixar de ser estúpidos e desesperados; sofrem
De angústia, pânico, depressão, ânsia;
E sofrem de medo, covardia, temor,
Horror, terror; e enganam-se e iludem-se
A si mesmos e uns aos outros, desesperados;
E querem ter consumos, poder e não existem
Quando pensam e sim quando têm;
Não param a um canto para refletir, não
Cantam uma canção de ninar, desesperados,
Não têm aonde chegar desesperados.

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