domingo, 24 de maio de 2015

Tereza Mota Valadares, 190, 15; BH, 0280602012.

Quando contentar-me, saciar-me, satisfazer-me
A mim e ficar satisfeito comigo mesmo, pararei
Numa encruzilhada e erguerei uma tenda para
Repousar-me; antes, não posso viver, não
Posso comer, beber, respirar, antes, não, não
Posso amar, existir, pensar, ser; quando
Sentir-me seguro, confiante e garantido, não
Darei mais um passo além das paralelas e não
Ficarei mais aqui, aquém da linha do horizonte;
Mas, para isto, levarei mais de uma eternidade,
Uma posteridade inteira e muito mais do que
O infinito que forma os universos; e não é
Brincadeira de criança, puerilidade, pieguice, é
Coisa séria, que faço questão de afirmar; não
É fácil firmar passo em lodaçal, areia movediça,
Não é fácil erguer dunas de grão em grão de
Areia catado com a mão; mas, é o que posso
E sei fazer e não desejo abrir mão, tenho que
Satisfazer-me e contar as vantagens e cantar
De galo e dizer a todos que fui eu que ergui
Aquelas maravilhas da natureza.

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