segunda-feira, 18 de maio de 2015

Professora Bartira Mourão, 587, 2; BH, 0220502012.

Não posso dormir sem escrever meu
Atestado de óbito diário; não posso
Sonhar sem o meu ato fúnebre,
Texto féretro, para compor meu
Ataúde literário mórbido; não
Posso ir para a cama sem as
Minhas memórias noturnas
Póstumas; são os meus castigos,
Minhas penas e privações, as
Incumbidas que os espíritos me
Dão, as tarefas que as almas e
Os fantasmas ditam para mim;
Não posso ir para a cama sem
Registrar as mensagens e são
Milhares de recomendações e pedidos,
Que nem consigo atender a todos;
E quando durmo sem uma letra,
Uma palavra a esses entes, ou dessas
Entidades a mim, não me deixam fechar
Os olhos e à toda hora abrem as
Minhas pálpebras, com guindastes
De levantar containers; e tento
Fazer o meu desempenho da melhor
Maneira possível e apelo ao vampiro
Dalton Trevisan e ao corvo Poe
E ao cego Borges e fico a dever,
Por não saber escrever e contestar
Aos meus mortos exigentes.

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