quarta-feira, 30 de março de 2016

Antigamente e fechava os olhos e enxergava; BH, 0270202016.

Antigamente e fechava os olhos e enxergava
As coisas, hoje, abro os olhos e não enxergo
Nada; a hipocrisia avança, a falsidade só 
Predomina e o pisar, é como se fosse o 
Pisar em areias movediças; e afundamos na 
Estupidez, afogamos na ignorância e a 
Bizarrice é uma unanimidade, como a 
Morbidez coletiva infinita; e na ilusão de 
Conseguirmos a liberdade, nos prendemos
Às coisas mais superficiais, banais e 
Corriqueiras; e na esperança de alcançarmos
A felicidade, nos vendemos, como se 
Fossemos carnes num açougue, mercadorias 
Em supercentros, ou shoppings; e não nos 
Envergonhamos de sermos tão reles, tão 
Mesquinhos e tão desajustados na ânsia de
Conseguirmos os nossos intuitos; e do 
Pouco que tínhamos de antigamente, num
Piscar de olhos, perdemos tudo: educação,
Saúde da mente, cultura, comportamento,
Ética, decoro, nada ficou, agimos como 
Delinquentes; e indiferentes pensamos ser 
Diferentes e tratamos com diferença os 
Nossos semelhantes, coisas que nossos 
Primatas não fazem; e não ouvimos mais 
As nossas falas, só nossos gritos, uivos e 
Imprecações; não ouvimos mais as nossas
Vozes normais, só as nossas impressões de 
Loucos, risos de desvarios, gargalhadas de
Deboches; e posamos de importantes, de 
Sóbrios, de ares superiores, de santos de 
Pau oco de pés de barro; e num sopro
Invertido, viramos uma visão na névoa,
Que nunca será autenticada no eterno.

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