domingo, 20 de março de 2016

Quando meto as mãos nos bolsos assim; BH, 02301102012.

Quando meto as mãos nos bolsos assim
E fico algum tempo a fitar o firmamento,
O universo entra pelos meus olhos e sai
Por meus dedos, flui de mim, para as
Folhas de papal, como se fosse um anel
Roubado e ficam só os dedos pendentes,
Nesta mão demente, incontrolável,
A traçar rabiscos sem teores universais:
Meus florais, meus minerais, meus sais, meus
Açúcares e se há alguma coisa importante
Na vida para se fazer, é meter as mãos 
Nos bolsos das velhas calças e fitar com 
O fundo dos olhos, o fundo do universo
E descobrir o que ele quer; e o que ele quer,
É que tenhamos um braço e na ponta do
Braço, uma mão e na ponta da mão,
Dedos para segurarem a caneta, no que 
O universo quer guiar; e sou um mero 
Instrumento deste universo envolvente,
Dos entes que o habitam e dos astros 
Que compõem-no; por mim passam as
Informações dos planetas perdidos, dos
Planetas desconhecidos e dos extintos
Planetas que vão às suas fronteiras e
Não voltam mais; é por isso que dizem
Que sou incorporado, mas, quem 
Incorpora-me é o universo, é ele que 
Habita o meu coração e minhas moradas;
E usa e abusa de minhas moradias sem 
Pedir licença, como um deus desconhecido,
A cavar crateras à procura de fieis; e só 
Encontra a mim de joelhos, mãos postas,
Como se a cabeça estivesse num 
Cepo, à espera da adaga do verdugo.

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