terça-feira, 1 de março de 2016

Vem aí a saideira e a galope; BH, 01701102012.

Vem aí a saideira e a galope
Nos ventos, vem a dançar comigo nas falésias
E a correr pelos vales; os câniones nos esperam,
Saibamos chegar às pradarias, escalar 
Os paredões nus e cantar nos ninhos 
Das águias mais reais; vem ali a todo 
Vapor a locomotiva, quer chegar primeiro
Do que eu, aonde meus pensamentos já
Chegaram; os ventos envolvem-me em festas,
Somos velhos conhecidos, amigos e estamos
A bailar juntos nas pontas dos pés; não
Tenho mais o sorriso branco de outrora,
Os ossos ficaram encardidos e as carnes 
Desencarnadas não foram mais encarnadas
Por outras carnes mais encarnadas; voamos 
Juntos, ousei pousar numa audácia que 
Não era a minha; não ralhes comigo,
Sou assim, voo baixo, um pouco mais 
Alto, vem vertigem, a viagem encurta;
Caio no mar, em curtas ondas chego às
Praias, as areias cobrem-me, cada grão
É um poro, não posso respirar, espirro
E liberto um soluço salutar; chego às 
Pedras e o vento vem buscar-me, não desiste
De mim, quer brincar, quer dançar; e
Vem lá a saideira, é uma nuvem
Branca, a solitária no céu azul, no 
Firmamento os rostos recolheram-se e 
Narciso, onde vou refletir o meu? não
Quero um espelho, espelho é para os mortos;
Sou um espírito e espírito se reflete
Só nos galopes dos ventos selvagens.

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