terça-feira, 1 de março de 2016

Ninguém no céu e ninguém no inferno; BH, 01701102012.

Ninguém no céu e ninguém no inferno,
Está todo mundo aqui, avisa aí, de 
Porta em porta, de janela em janela,
De casa em casa, está todo mundo
Aqui; a Maria Lavadeira e as cantigas
Das beiras do rio; Pedro Moleiro, Jairo
Bonfim, a tirarem samba de terreiro;
A festa é aqui, mulatas requebradeiras,
Negras passistas, mucamas sonhadoras e 
Malandros rifes, a comandarem o samba
De roda; ninguém cai, ninguém sobe,
O partido alto do antigo pai Candeia,
Está mais moderno direto da veia; 
Samba canção, meu irmão, samba 
Sincopado, samba de mesa, na palma
Da mão; samba letrado, tirado a intelectual,
Mas a escola é no morro, isso não sai no
Jornal; o sambe é um só, cada um canta
Como quer, canto samba assim e me
Sinto contente; quem não gosta de samba 
É doente do pé, ninguém viveu, ninguém
Morreu; só o dia para nascer a noite e 
Depois a noite para nascer o dia; nasceu
Na senzala, nasceu nos quilombos, nasceu
Nas favelas; e o predicado é batuqueiro,
Pagodeiro, a baiana mais bela, a rodar
Manivela, a tirar água do poço, salve
A Bahia seu moço; samba tantas vezes
Imortalizado, não há de ser assim
Desprezado e nem morrerá de agonia,
Já está eternizado, noite e dia cantado
No útero de minha poesia.    

Nenhum comentário:

Postar um comentário