segunda-feira, 28 de março de 2016

Ouçais este canto de passarinho; BH, 0501202012.

Ouçais este canto de passarinho,
Este zumbido de asas de besouro,
Preso dentro duma meia usada, em
Cima da mesa de madeira do 
Quintal; e estas rasantes que as 
Muriçocas dão em volta das cabeças;
Ouçais essas sinfonias universais,
Essas músicas de filarmônicas que,
Os ouvidos não captam mais; cada
Ser que respira faz um concerto
Diferente; o recital silencioso das
Garças nas beiras das lagoas, ou 
Dos rios e lagos; são as belezas ocultas
Debaixo das belezas ocultas; e os 
Choros dos besouros que, caem de
Pernas para o ar e não voltam mais à
Posição normal e choram até morrer; 
Ouçais esses choros das joaninhas,
Que, morrem queimadas, dos grilos
E dos gafanhotos rotos pelo fogo
Da natureza; todo ser que respira
Chora de dor, mas, o que sabe fingir 
É só o homem; ouçais os cantos 
Barrocos das pedras sabão ao
Levarem as marretadas sagradas
Do Aleijadinho; e os gemidos 
Dos mármores cortados por 
Michelangelo inda reverberam
Nos ouvidos dos santuários do
Universo; as partituras eruditas
Não registram esses momentos tão
Sublimes que não consigais imaginar.

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