quinta-feira, 24 de março de 2016

Bonitas são as pretas velhas nas rodas; BH, 02901102012.

Bonitas são as pretas velhas nas rodas
Dos terreiros, a rodopiarem, a baterem
Os pés no chão, na cadência dos 
Cantos nagôs; bonitas são as pretas 
Velhas, as caboclas, as mucamas e os sons
Dos tambores sagrados; bonitas são as 
Poeiras que sobem do chão dos quintais,
Como uma fumaça de uma queima de 
Oferendas em altares aos moradores 
Dos céus; bonitos são os balangandãs,
As cordas e os cordões, os búzios e os 
Guizos, as saias de rendas, os anéis e 
Pulseiras, as braçadeiras, as chinelas,
As guias e as rezas das negras benzedeiras;
Bonitos sãos os ebós, os altares afros,
Suas armas e ritos; bonitos são os 
Enfeites, os adereços, os apetrechos dos
Cultos dos negros aos deuses nagôs; 
Bonitas são as comidas oferecidas, os
Azeites e as pimentas, as farofas e as pingas;
E as rodas de santos e santas e os pais 
E as mães de santos e o ritual banto; 
Bonito é o meu berço África, mãe, pai,
Parente, útero de onde veio toda a gente
E de quem veio das forças dessas matas, 
Das folhas das selvas, das folhagens, das 
Relvas, das ramas, dos troncos dos 
Sagrados carvalhos; das abençoadas 
Obras-primas, que cultura tão vasta
Encontrou a humanidade, apesar de ter
Sido através da dura e cruel imposição
Da escravidão; e com lágrimas nos olhos
Teremos que reconhecer e agradecer,
Pelo conhecimento de tal riqueza.

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