terça-feira, 29 de março de 2016

Não tenho trabalho e não sou profissional; BH, 0301202012.

Não tenho trabalho e não sou profissional
E nem tenho remuneração; falta-me
Profissão, ai, arrisco no amadorismo, na
Falta de estilo e de definição; não tenho
Um destaque, ou algo que chame a 
Atenção; se eu ainda tivesse um marco,
Um ponto qualquer final, de exclamação,
Ou de interrogação, teria um norte; não
Capto minhas linhas sinuosas e caço no
Mato sem gato e sem cachorro; mas 
Reclamo de quê? tive tempo de aprender
A aprender, de ensinar e de ser ensinado
E não posso ter o direito de reclamar, 
Seria injusto de minha parte; e replico
De quê? replicante sem direito a replicar,
Besouro no voo perdido, caiu de pernas
Para o a r; veio um graveto salvador e 
Virei-me à posição correta e tornei a 
Voar; e de novo aterrissei com o corpo
Em cima das asas, por cúmulo do azar 
E desta vez, até agora, o vento não jogou
Nenhum graveto para cá; e destino cruel,
Aqui para sempre vou ficar, nem todos 
Os dias são dias de sorte; mas todos os
Dias são dias de azar e ficar aqui até
Secar-me, sozinho, não sei virar-me
Nas minhas contrações e contradições;
E escorrego e quebro as pernas e 
Caio por cima das asas e seco-me 
Aqui neste chão sem futuro, que agouro. 

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