terça-feira, 15 de março de 2016

Esta compulsão que sinto em escrever; BH, 02301102012.

Esta compulsão que sinto em escrever,
É hora de parar, pois nem sei mais o que
É que saio a escrever nestas linhas deste
Papel; alguma mão há de agarrar meu
Pulso e não soltar e prender meu pulso
À outra mão que não queira escrever; e 
Decepar este braço deste corpo que, é 
Todo ele um composto de letras, de 
Palavras, de literaturas, de bibliotecas; e 
Que este braço seja acoplado a outro 
Corpo que não seja nada de antologia
Poética; e esta compulsão que faz com
Que, eu não exista se não estiver a compor
Um hino aos corvos, aos seres corcovados,
Aos velhos encurvados, aos ossos 
Encovados; se este cérebro não estiver
Dentro de um crânio milenar, este 
Cérebro não é este cérebro; e quem toma
Conta deste cemiteriozinho, este canteiro
De fósseis, é este cérebro neandertal; é
Ele que é o coveiro-mor que nunca 
Enterra e sim desenterra das covas os 
Resquícios ósseos, os vestígios de 
Ossadas, os pedaços de crânios de outras
Caveiras de crânios consagrados; reencarna
Esses ossos, reencarna essas ossadas à 
Posteridade, às galerias clássicas, às odes
Líricas e enfim, sossegue esta mão no 
Altar dalguma coluna no cimo dalgum 
Pedestal de cordilheira nalgum planeta.

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