segunda-feira, 21 de março de 2016

Impressionante é como não impressiono; BH, 02301102012.

Impressionante é como não impressiono, 
Nem a mais rasteira das relvas que, 
Margeiam os caminhos; e estou vestido
De grife da moda, com marca de nome
No mercado; e passei pela flor e a flor
Não virou-se na haste para olhar-me e 
Nem balançou o caule quando passei 
Reluzente; ignorantemente ignorado
Pelo universo habitado e desabitado,
Não abalei as folhagens, as ramagens
Das árvores; e pensava-me o tal, agora,
Sim, serei aceito; e de novo nem o 
Capim olhou para mim, virei transparente,
Invisível? as coisas não enxergam-me,
Não notam minha presença? a borboleta
Desviou o voo dela a evitar-me; a
Mariposa não pousou nem na soleira
Da minha porta; toda a minha vaidade 
Lançada por terra, toda a minha ambição
Lambida pela lava do vulcão; orgulhoso,
Meu coração fechou-se inda mais, coração
De faraó, sarcófago inviolável; e as 
Pragas, o azar, apareceram uma por uma 
Em minha vida; e pragas ruins, daquelas
Que pegam e não saem mais, nem com
Rezas bravas; a única que poderia fazer
Alguma coisa seria a minha avó que, 
Era rezadeira; aquela quando rezava e 
Quando tomava umas, até o tempo 
Fechava com jeito de chuva; dela 
Herdei as bebedeiras, mas, as rezas, não;
E o que não sei fazer, é rezar, tal a 
Minha avó que, só mexia com a boca,
Num furo no canto dos lábios e não 
Deu para decorar as suas rezas bravas.

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