terça-feira, 1 de março de 2016

Escalei a montanha e na subida passei; BH, 01701102012.

Escalei a montanha e na subida passei
Por vários cadáveres congelados, dos
Que tentaram a escalada antes de mim;
Cheguei às estrelas, os planetas errantes
Saldaram-me de suas tocaias; a lua
Ilumina a terra, o sol ilumina a lua e 
Tive a tarefa de iluminar o sol; os 
Milhões de sóis cegos que vagam fora 
De suas órbitas, de suas forças, de seus
Eixos; sóis extintos há bilhões de anos
Inda fumegavam, rompi a barreira do 
Universo e a minha constelação, a 
Minha galáxia-mãe, era apenas uma 
Tênue névoa a dissipar-se atrás de mim;
Impregnei-me de gosma cósmica
Expelida pela pele das tempestades
Astrais e emoldurei em molduras de 
Ouro, uma por uma, as Auroras
Boreais que encontrei pelo caminho; 
Completei minha coleção infinita de 
Obras-primas e aumentei o acervo de 
Minha pinacoteca da posteridade com
Essas obras de artes e dessas belas 
Artes, assinei tela por tela, folha por 
Folha e as pendurei nas paredes dos 
Museus do universo e contentei-me;
Contemplei maravilhado, por ter-me
Convencido convincentemente, de 
Que, o papel desenvolvido não era 
Demente; dementes são os que 
Enclausuram os artistas que, no 
Lugar de dar-lhes um ateliê, dão-lhes
Uma cela num manicômio; dementes 
São os que não escalam a montanha,
Que deixam-se congelar e que não falam 
Com os astros e nem com a Aurora Boreal.

Nenhum comentário:

Postar um comentário