quarta-feira, 2 de março de 2016

Que horas infrutíferas e que tempos; BH, 01901102012.

Que horas infrutíferas e que tempos 
Inúteis, que ares perdidos; vale a pena
Passar um dia assim no ócio? a curvar
A coluna para a frente, puxada pelo peso da 
Barriga? que horas inacabadas, mortas,  
Nenhum resgate de uma molécula de 
Uma partícula que seja; que complicações,
Nada viceja, floresce, tudo murcha
E seca; a água tem um gosto de ferrugem,
A carne antes quente, saborosa, agora jaz
Fria, sem gosto; se todo dia for assim, é 
Melhor não nascer no dia seguinte, se 
Todo dia for assim, é melhor morrer, não 
Precisa nem anoitecer; é melhor que não
Venha a madrugada, o amanhecer, se for
Fazer as coisas que preciso fazer, não
Poderei fazer as coisas que preciso fazer;
E preciso fazer as coisas que preciso fazer,
Mas não tenho como, cobram tudo de 
Mim e sem paciência; não posso ser do 
Jeito que querem que eu seja, teimo
Todo dia na mesma tecla; e mergulham-me
Em todos os poros, puxam-me como se 
Eu fosse a isca que o peixe tivesse mordido;
E fico mordido e não percebem que, 
Asco causam-me, ou não sabem, ou fingem
Não saber; bebi cicuta no peito de minha
Ama de leite, bebi absinto quando tive 
Sede e não poderia deixar de ser amargo;
A mais doce saliva em minha boca 
Se transforma em fel; que horas que não 
Consigo enterrá-las numa sepultura esquecida.

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