sábado, 26 de março de 2016

Literatura era o que faziam Flaubert; BH, 02901102012.

Literatura era o que faziam Flaubert,
Balzac, no toco da vela, escondidos
Nos biombos onde moravam, a fingirem
Que não estavam em casa, quando os 
Senhorios batiam às portas, a cobrarem 
Os aluguéis atrasados; literatura, sem 
Comentários, faz Michel Proust, sem 
Comentários e o Michel de Montaigne; 
E o Miguel de Cervantes, preso nas 
Masmorras, sem um braço; e o Camões
A nadar com um braço só, o outro 
Suspenso acima d'água, a segurar os
Originais dos manuscritos de Os 
Lusíadas? esses caros fizeram literatura,
Tempos adversos, inóspitos, vida dura
E só poderia nascer daí, a melhor
Literatura da galeria universal; cito 
Esses poucos por exemplos, pois 
Naqueles tempos, as condições não 
Eram nada favoráveis, e só os geniais
Se destacavam no meio; nas artes
Plásticas, penso que já comentei,
Quando Picasso mostrou a um 
Marchand, a obra Cabeça de Mulher, 
E o marchand falou que se aquilo
Fosse arte, ele não seria marchand; 
E o Van Gogh? penou um bocado
Pela arte, ficou louco intoxicado
Pelo chumbo das tintas, suicidou-se;
Que prazer em falar nesses loucos
Que flagelaram-se em nome da arte,
Da obra-prima, enlouqueceram-se em
Busca da perfeição, torturaram-se 
A ponto de pedirem a obra para falar e
Muitas delas nos falam até os dias de hoje.

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