terça-feira, 22 de março de 2016

Se eu fosse um escritor e nunca seria; BH, 02501102012.

Se eu fosse um escritor e nunca seria
Um escritor moderno, pelo contrário, 
Seria um escritor à moda antiga e bem
Ultrapassado; não usaria nem a velha
Máquina de escrever, a de datilografia,
Usaria só papel, qualquer tipo de papel,
De embrulho, de envelope, de cadernos
Velhos e inutilizados; se eu fosse um 
Escritor, o mundo literário só tomaria
Conhecimento de mim, muito tempo 
Depois da minha morte; e só escreveria
Coisas que os mortos quisessem ler,
Não escreveria nunca, coisas que os 
Vivos quisessem ler; e nem sei se eu 
Fosse um escritor, poderia ser considerado
Escritor pelos entendidos em escritores;
Pois, só quereria escrever coisas ditadas
Por espíritos, almas, entes, entidades, 
Fantasmas, assombrações; só quereria
Escrever textos sobrenaturais e de 
Mentes em alucinações, textos de 
Seres de outros limbos, de mentes 
Esquizofrênicas, inconscientes; talvez,
Eu nunca seja realmente considerado 
Um escritor: sem escola, sem estilo,
Sem cátedra, cadeira, deficiente, não 
Seria enquadrado naturalmente, nessa 
Galeria nobre; minha literatura é de 
Porta de banheiros de bares de zonas
E minhas musas todas putas, travestis,
Raparigas, meretrizes, mendigas 
Sifilíticas e periguetes aidéticas
Em estados terminais.

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