terça-feira, 8 de março de 2016

Ignorar como a luz do sol ignora; BH, 02101102012.

Ignorar como a luz do sol ignora,
A luz da lua é alheia e a chuva é
A ignorância; desprezar como o vento
Despreza, como o fogo queima e a água 
Inunda; desconhecer como o oceano é 
Desconhecido e o mar misterioso,
Insensível como o inverno é frio e o 
Outono que desfolha as árvores; desgostar
Como o vulcão e a sua lava e a cinza que 
Despeja nas aldeias; e permanecer 
Independentemente, como as pegadas 
Fossilizadas dos dinossauros, as escritas
Rupestres nas paredes das cavernas e 
Os ossos, ossadas, esqueletos, caveiras 
De milhões de anos descobertos nas 
Profundezas; e solene, como os 
Pensamentos, as sombras dos morros,
Reinar na imensidão absoluta; e 
Distante, como distantes estão as 
Estrelas, nunca chegar muito perto 
Do nada, é o nada que observa as 
Estrelas; e com a altivez do sabiá, 
A elegância dum lírio, a riqueza e a 
Luxuosidade da garça branca, no 
Contraste do céu azul, do rouxinol e
A flor, do colibri e a pétala, do 
Beija-flor e o beijo; o eixo da terra,
A força de gravidade, a atração entre
Os astros; a única verdade verdadeira
Que move o universo, é que o 
Universo nos ignora da maneira como
Devemos ser ignorados; só nós mesmos
Que pensamos que ao nos pavonear,
Ao nos embonecar, que chamaremos
A atenção do universo que nos despreza.

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