segunda-feira, 31 de agosto de 2015

MIKIO, 131; BH, 0310302013.

Chove na cidade, porque não chove
No sertão? o sertão pede chuva, igual
Amor, pede o meu coração; meu coração
Também é sertão, é árido, arenoso
E as criações morrem de sede, os rios
Secam e os cactos proliferam; e quanto
Mais amor pede o meu coração, mais
O amor se distancia; chove na cidade,
Deveria chover em meu coração,
Deveria chover em meu sertão; e para
Chorar, como ficou difícil chorar, a
Seca é tão trágica, que as lágrimas se
Evaporaram; chove na cidade, e não
Chove no sertão e não chove em meu
Coração; com tanta terra a querer
Florir, com tanto pomar a querer
Frutificar, com tanto jardim a querer
Cobrir-se de verde e com tanta
Plantação a querer alegrar ao velho
Sertanejo e não chove no sertão;
Está tudo ali, é só cair uma aguinha
E isso vira um paraíso; é uma gotinha
De sangue e este coração vira
Menino, sai a correr pelos campos;
Chove na cidade, a água molha as
Calçadas, empoça nas ruas e os
Carros jogam água nas pessoas; todos
Molham-se e nenhum sente a chuva,
Essa chuva não faz sentido aqui na
Cidade, correm da chuva, reclamam
Da chuva, expulsam-na da cidade
E é uma chuva urbana, prefere cair
Aqui, não vem ao meu coração, não
Vai ao sertão, onde teria todo o sentido.

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