segunda-feira, 24 de agosto de 2015

MIKIO, 139; BH, 040402013.

Desconheço-me, não há como conhecer-me,
Não há tese a meu respeito, teoria, ensaio,
Ou tratado; desconheço-me, não há uma
Nota explicativa sequer, um manual de uso,
Ou um passo a passo, não há como
Reconhecer-me; qualquer um sabe de tudo
A respeito de si, não sei de nada a respeito
De mim e se soubesse, viveria melhor
Comigo mesmo; desconheço-me e não há
Como conhecer-me, penso ser complexo
Demais, sistemático, e complexado; não
Há processo normativo, para colocar em
Bom andamento, o meu desenvolvimento; e
Como não tenho prática em mim, demoro a
Acostumar comigo; e não desvendo-me,
Não tiro a tarja preta das vistas, e sou um
Osso duro de roer, na tentativa de
Conhecer-me; e como não tenho
Experiência em mim, quebro a cara
Ingenuamente; será herança genética? será
Legado de hereditariedade? será carga dos
Meus ancestrais que terei de carregar? será
As amarras dos meus antepassados? será
Que morrerei sem descobrir, ou descobrirei
Antes de morrer? sinto-me inda encoberto
De manto e em algum lugar inacessível,
Tudo para, e dali não passo, quando dou-me
A pesquisar; não avanço nem dentro e nem
Fora, nem em cima e nem embaixo; e todo
O universo teima em que conheça-me; e
Todo dia de manhã, vem dar-me uma nova
Oportunidade e a deixo fluir de minha
Alma, quando chega a tarde.

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