terça-feira, 11 de agosto de 2015

MIKIO, 157; BH, 0170502013.

Não é possível, estou todo a fervilhar
De febre, estou em mim? não é
Possível, de repente, vejo-me a
Tremer, estou em transe? quem sou
Eu a escrever agora neste momento?
Alguém escreve por mim? porque a
Minha mão está tão branca assim,
Esta branca mão, é a minha mão?
E que cansaço é este agora? cansaço
De fantasma, suspiro de morto,
Soluço dum último frenesi de vida;
Não é possível, passou, durou
Pouco, voltei à lucidez, à cor natural,
Dei uma pausa, respiro normalmente,
A febre passou; penso no sofrimento
Do Nietzsche, se pudesse ajudá-lo,
A cabeça voltou a doer, a apertar o
Crânio, as letras ficam fora de forma,
As palavras fora das linhas, as frases
Saem tortas e as sentenças presas;
Eu mesmo encontro-me preso, não
Voo, não nado, não danço, o vento
Convida-me a deixar a vegetação,
Não tenho uma praia para ir, não
Tenho uma montanha minha; tenho
O hospício onde ficarei internado,
No mesmo catre onde ficou Arthur
Bispo do Rosário; se minha cabeça
Parasse de doer, eu teria a certeza que, 
Não precisaria existir; não é possível
E é impossível, estou todo em gelo.

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